- Elizangele Menusi

- 23 de fev.
- 2 min de leitura
Nos últimos meses, uma pergunta tem se tornado cada vez mais comum nas empresas:
Existe questionário validado para identificar fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho?
A resposta técnica é objetiva: não.
E entender o porquê disso é essencial para que empresas não adotem soluções superficiais que não atendem ao que a legislação exige.

| O que diz o Ministério do Trabalho sobre risco psicossocial?
O Guia de Informações sobre Fatores de Risco Psicossociais do Ministério do Trabalho é claro ao afirmar que a identificação desses fatores não se trata de verificar sintomas individuais, sensações do trabalhador ou medir sinais biológicos.
Ou seja: Não estamos falando de medir ansiedade, estresse ou percepção subjetiva isoladamente. Estamos falando de condições de trabalho.
A análise deve considerar como o trabalho é organizado, executado e gerenciado, e não apenas como o trabalhador relata se sentir.
| Por que questionários validados não resolvem a exigência legal?
Na literatura científica, existem diversos questionários validados. Porém, eles têm um objetivo específico: avaliar sintomas ou percepções individuais.
Isso é diferente de identificar fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.
Risco psicossocial, do ponto de vista normativo, está ligado a aspectos como:
Organização do trabalho
Ritmo e carga de trabalho
Metas e pressão por resultados
Autonomia e controle sobre tarefas
Relações interpessoais no ambiente laboral
Condições organizacionais que podem gerar adoecimento
Um questionário pode captar percepção. Mas não substitui a análise técnica da atividade real.
| O que a NR17 determina?
A NR17 estabelece que a avaliação das condições de trabalho deve ocorrer por meio de:
Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP)
Análise Ergonômica do Trabalho (AET), quando necessária
Esses métodos envolvem observação técnica, análise da atividade, compreensão da organização do trabalho e identificação dos fatores que podem impactar a saúde do trabalhador.
Ou seja, o foco está na estrutura do trabalho, não apenas no relato individual.
| O risco de soluções simplificadas
Muitas empresas acabam adquirindo softwares ou modelos prontos que prometem resolver a avaliação de risco psicossocial por meio de um formulário “validado”.
O problema é que essa abordagem pode:
Não atender plenamente às exigências normativas
Gerar falsa sensação de conformidade
Não identificar corretamente os fatores organizacionais que causam adoecimento
Expor a empresa a riscos jurídicos
A identificação adequada exige análise técnica, metodologia estruturada e conhecimento aprofundado da ergonomia.
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Não existe questionário validado que, isoladamente, identifique fatores de risco psicossociais conforme a exigência normativa.
A avaliação precisa estar baseada na análise das condições reais de trabalho, utilizando os métodos previstos na NR17.
Empresas que desejam atuar de forma responsável e tecnicamente adequada devem investir em avaliação ergonômica estruturada, conduzida por profissionais qualificados.
A conformidade não está em aplicar um formulário.
Está em compreender o trabalho em sua realidade.
