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Sua empresa está preparada para a nova NR-1 ou apenas acredita que está?

Foto do escritor: Elizangele Menusi
Elizangele Menusi
8 de jul.
4 min de leitura

Muitas empresas acreditam que estão preparadas para a nova NR-1 porque possuem documentos obrigatórios organizados, programas atualizados e processos internos aparentemente em conformidade. Porém, a atualização da norma trouxe uma mudança significativa na forma como a segurança e a saúde ocupacional devem ser tratadas. Hoje, não basta ter documentos arquivados. É necessário demonstrar que a empresa realiza uma gestão de riscos ocupacionais efetiva, incluindo a identificação, avaliação e controle dos riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho.


Essa mudança representa um novo momento para as organizações, pois a conformidade deixou de ser apenas documental para se tornar uma prática contínua de gestão. Empresas que ainda enxergam a NR-1 apenas como uma obrigação burocrática podem produzir ações que virão a impactar severamente a sustentabilidade de seus negócios em um futuro próximo. 


nova NR-1


| O que realmente mudou com a nova NR-1?


A atualização da norma fortaleceu a gestão preventiva dos riscos ocupacionais por meio do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Na prática, isso significa que as empresas precisam avaliar os fatores que podem comprometer a saúde e a segurança dos trabalhadores de forma ampla, considerando não apenas riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes, mas também aspectos relacionados à organização do trabalho.


Entre esses fatores, destacam-se os Ergonômicos e dentre eles os riscos psicossociais, que incluem situações como excesso de demandas,jornadas prolongadas, conflitos interpessoais, pressão constante por resultados, falta de autonomia, comunicação ineficiente, assédio e outros aspectos capazes de comprometer a saúde mental dos colaboradores. Por serem condições muitas vezes invisíveis, suas causas precisam ser identificadas com precisão. Por isso, é essencial realizar uma avaliação psicossocial específica, conduzida por um profissional devidamente capacitado para compreender e analisar a demanda cognitiva do trabalho.


Mais do que reconhecer sua existência, a empresa precisa demonstrar que identifica esses fatores, analisa seus impactos e estabelece medidas para reduzir ou controlar seus efeito


| O que muitos empresários ainda estão ignorando?


Uma das interpretações mais comuns quanto aos riscos psicossociais é acreditar que aplicar uma pesquisa de clima organizacional (questionário) ou oferecer ações isoladas de qualidade de vida sejam suficientes para atender às novas exigências. Ledo engano!


A ausência de informação sobre riscos psicossociais não significa que eles não existam na empresa, mas sim que não foram identificados. Esses riscos estão naturalmente presentes nas atividades de trabalho, assim como o ruído é um risco comum para operadores de máquinas. O problema não está na simples existência dos riscos psicossociais, mas no fato de atingirem níveis capazes de provocar adoecimento sem que a organização adote medidas para mitigá-los e controlá-los.


No caso do operador de máquinas, por exemplo, o risco pode ser reduzido com o fornecimento de protetor auditivo, pausas para descanso acústico, rodízio de operadores e monitoramento periódico do nível de exposição. Diante disso, surge a pergunta: quais práticas de proteção são adotadas para os riscos psicossociais, que também podem gerar adoecimento rápido e afastamentos?


| As principais falhas encontradas nas empresas 


Durante processos de adequação à NR-1, algumas situações aparecem com frequência e podem comprometer a conformidade da organização.


Uma delas é possuir um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) atualizado apenas no papel, sem que reflita a realidade das atividades desenvolvidas.


Também é comum encontrar empresas que não realizaram qualquer avaliação dos riscos ergonômicos e possuem estes riscos informados em seu PGR, mesmo diante de ambientes com elevado número de atestados médicos, alta rotatividade ou índices de afastamento relacionados à saúde mental.


A indicação de riscos ergonômicos deve ser precedida pela Análise Ergonômica Preliminar (AEP) e, quando aplicável, pela Análise Ergonômica do Trabalho (AET), pois esses documentos servem como base técnica para o registro. Sem essa documentação, a empresa pode assumir o risco de produzir um documento sem respaldo adequado.

Apontar risco ergonômico sem elaborar a AEP equivale a emitir um PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário) sem o respectivo Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT).



| Como iniciar a adequação à NR-1 


O primeiro passo é compreender que a adequação não acontece apenas por meio da atualização de documentos. Ela exige um diagnóstico da realidade da empresa e de suas atividades, ambientes e organizações laborativas.


A participação dos colaboradores também é fundamental e, lembrar que a Ergonomia começa e termina na organização do trabalho. 


É importante revisar o PGR, verificar se todos os riscos ocupacionais estão devidamente identificados e possuem sua documentação de base legal.  


Contar com profissionais especializados nesse processo contribui para que a avaliação seja conduzida de forma técnica, consistente e alinhada às exigências da legislação.


| Estar preparado vai além da documentação 


A atualização da NR-1 representa uma mudança de cultura. O foco deixa de ser apenas cumprir exigências legais para construir ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e sustentáveis.


Empresas que iniciam essa adequação de forma planejada reduzem riscos, fortalecem a gestão, melhoram o ambiente organizacional e demonstram maior compromisso com a saúde dos trabalhadores.


No final, a pergunta não é se sua empresa será fiscalizada.


A verdadeira pergunta é: quando esse momento chegar, sua organização conseguirá demonstrar que realmente faz a gestão dos riscos ocupacionais, incluindo os riscos psicossociais, ou apenas acredita estar preparada?




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